Lançamento trata da etnografia de um núcleo de atendimento a adolescentes autores de práticas infracionais, na Zona Leste de São Paulo.

Cadastrado em 30/11/2017 07:58
Atualizado em 04/12/2017 15:52

Entrevista por CCS UFSCar

Lançamento trata da etnografia de um núcleo de atendimento a adolescentes autores de práticas infracionais, na Zona Leste de São Paulo.

A obra deriva de uma pesquisa sobre como o atendimento a adolescentes autores de práticas infracionais é construído nos casos em que os juízes sentenciam que as medidas socioeducativas devam ser cumpridas em meio aberto. "Realizei trabalho de campo no Núcleo de medidas socioeducativas da Dom Bosco Itaquera, na Zona Leste de São Paulo. Ao longo de três meses e meio, acompanhei os modos como a equipe responsável pelas medidas socioeducativas lidava com as exigências legais e judiciais e, ao mesmo tempo, com a necessidade de individualização dos atendimentos. Acompanhei o trabalho dos técnicos e realizei uma análise etnográfica dos documentos que circulavam entre o Núcleo e as instâncias do Poder Judiciário", explica Munhoz.

O argumento central, construído etnograficamente, é o de que a relação entre a equipe e os juízes é sempre marcada pela incerteza e a definição de atendimento precisa ser negociada caso a caso. Essa incerteza se manifesta pela convivência, no Núcleo, de diferentes saberes e diferentes formas de governo dos meninos. "A descrição etnográfica dos documentos produzidos no Núcleo e daqueles que precisam ser interpretados pela equipe é um dos pontos centrais do trabalho. Aliada à descrição das atividades desenvolvidas na Dom Bosco - e possibilitada por ela - a etnografia dos documentos contribui para a ampliação do debate antropológico produzido no campo dos estudos da criminalidade, da juventude e das políticas e instituições voltadas aos adolescentes autores de práticas infracionais, além das discussões acerca de outras redes de cuidado e atendimento", acrescenta a autora.

A pesquisa é fruto das discussões que têm sido realizadas no "Hybris - grupo de estudo e pesquisa sobre relações de poder, conflitos e socialidades", coordenado pelos antropólogos Ana Cláudia Marques, da Universidade de São Paulo (USP), e Jorge Mattar Villela, da UFSCar. "Minha pesquisa, especificamente, partiu da motivação inicial de compreender como a contemporaneidade lida com a punição e a liberdade, postas lado a lado - imbricadas e, simultaneamente, inconciliáveis -, no caso daqueles indivíduos considerados pessoas em desenvolvimento", diz Munhoz.

Na apresentação, Villela fala da importância do livro "O Governo dos Meninos": "Etnografias como as de Sara Munhoz poderiam bem ser objeto da atenção de todos nós, a despeito de nossas atividades profissionais, a despeito de nossas preocupações pessoais (...) Expandi-las talvez seja o único modo de inventar um outro mundo, de tornar um outro mundo possível".

 

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Adolescentes Poder Judiciário; Estados Unidos governo Ética e Honestidade Autorrealização Cidadania e Direitos praticas infracionais legislação

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