Lançamento aborda literatura de cunho libertário

O livro "Escritas Libertárias", de autoria de Vera Chalmers e publicado pela Editora da UFSCar (EdUFSCar), aborda a literatura de cunho libertário ou a respeito do anarquismo nacional e internacional, no período compreendido entre o fim do século XIX e a Segunda Guerra Mundial.

Cadastrado em 11/10/2017 10:44

Entrevista por CCS UFSCar

Lançamento aborda literatura de cunho libertário

"Meu interesse pela escrita dos jornais anarquistas data de 1982, quando iniciei minha pesquisa no Arquivo Edgard Leuenroth, no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp [Universidade Estadual de Campinas]. Fui convidada pelo historiador Michael Hall a visitar o acervo dos jornais anarquistas da coleção de Edgard Leuenroth, os quais estavam em processo de microfilmagem, mas ainda pude folheá-los em papel. Fiquei entusiasmada com a perspectiva de pesquisa, que se abria diante de mim, no que diz respeito à minha área de atuação - a literatura", lembra a autora, que é graduada em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e tem mestrado e doutorado sob orientação de Antonio Candido de Mello e Souza no Departamento de Teoria Literária da USP. Chalmers é livre-docente pela Unicamp.

O livro traz escritos que são fruto de pesquisa em bibliotecas e acervos públicos e particulares no Brasil e no exterior. "Dediquei-me a buscar a publicação do folhetim nacional e estrangeiro, publicado nesta imprensa. E ainda percorri a publicação da dramaturgia de cunho anarquista, reunida em livro ou publicada nas folhas dos jornais. De início dediquei-me à pesquisa dos jornais anarquistas publicados em Português, tais como: A Terra Livre, A Lanterna, A Plebe, entre outros", descreve Chalmers.

Cada capítulo do livro aborda uma obra específica estudada pela autora. Um deles, por exemplo, é o romance "Os comuneiros", de Carlos Malato. "O romance, situado na vertente do anarcocomunismo, constrói a trama da conspiração dos Comuneiros. Porém, o romance de Carlos Malato não é apenas uma obra doutrinária, mas um bem-sucedido folhetim na qual as peripécias se multiplicam em torno da trama central, que é a Revolução das Comunidades de Castela", explica a autora.

A obra de Chalmers trata da literatura de cunho libertário, não necessariamente reprodutora do ideário anarquista. Desta forma, por meio deste tipo de literatura, o livro abrange aspectos da história do movimento operário, principalmente na Espanha, na Itália e no Brasil; e as análises atingem também publicações da Argentina e de Cuba. 

Outro exemplo é a publicação do romance "As minas de prata", de José de Alencar, pelo periódico "Voz do Povo". "O ambicioso projeto de publicar em periódico um romance de 72 capítulos contrasta com a irregularidade e as condições materiais adversas de produção deste meio de comunicação: o jornal militante. Os editores repetem as práticas românticas, tais como a venda por subscrição, mas a edição do romance em série segue a estratégia de manter em circulação o periódico nos momentos de retração do movimento operário, contrariamente à relação de mercadoria da edição burguesa", diz Chalmers.

Ligia Chiappini, professora titular de Literatura e Cultura Brasileiras no Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Livre de Berlim, define a pesquisa de Chalmers: "Trata-se de um trabalho inédito de literatura comparada, não apenas porque resume, analisa e interpreta textos de gêneros diversos de literatura não canônica, mas porque estes são lidos à luz de obras e autores paradigmáticos da literatura tida por universal".

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Anarquismo Cidadania e Direitos jornais dramaturgia movimento operário

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